quarta-feira, 17 de outubro de 2007

ONU: fome é "inaceitável" num "mundo de abundância"


No Dia Mundial da Alimentação, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou ser "inaceitável" que hoje 854 milhões de pessoas sofram de fome crónica, num "mundo de abundância".
"O mundo possui os recursos, os conhecimentos e os instrumentos necessários para fazer do direito à alimentação uma realidade para todos", afirmou o alto responsável, em comunicado.Ban Ki-moon diz ser obrigatório "reconhecer o papel dos direitos humanos na erradicação da fome e da pobreza e a relação entre desenvolvimento, direitos humanos e segurança".Reconhecendo que "a erradicação da fome avança lentamente", o secretário-geral da ONU considera ser necessário "fazer muito mais para que a integridade e os direitos de cada ser humano estejam no centro dos esforços" de todos.A solução apontada por Ban Ki-moon passa por complementar as acções em curso com uma "intensificação das medidas que visam garantir a participação e o empoderamento, a responsabilização e a transparência, a dignidade humana e o primado do direito".Num apelo à união de forças, o secretário-geral lembrou ainda os esforços desenvolvidos na Cimeira Mundial da Alimentação, na Declaração do Milénio e da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).



Dia Mundial da Alimentação 16/10

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Uma guerra de milhões



As escolas afixam a lista de títulos e as famílias compra-os, geralmente ignorando o que está por detrás da escolha de um manual escolar. A saber: uma sofisticada máquina de fazer livros capaz de motivar os professores a adoptá-los e um Ministério da Educação ausente da avaliação. Finalmente o governo aprova a lei de certificação dos manuais e cria "comissões de peritos" para os aprovar. De "aplaudir", dizem uns, "um processo rígido e centralista", acusam outros. Benefícios para os alunos? Só a prática o confirmará.



Pense em 1,6 milhões de alunos, multiplique-os pelo número de disciplinas correspondente a cada nível de ensino e o resultado dá dez milhões de manuais escolares postos à venda este ano. Dez milhões. Ainda que esteja por fora das dificuldades do negócio livreiro em Portugal, não é difícil perceber que não há livro (ou leitores) que chegue aos calcanhares do consumidor escolar. Avaliado em oitenta milhões de euros, o mercado do livro escolar é o maior do sector livreiro, estando agora concentrado em dois grandes grupos. A liderar, a Porto Editora com quase sessenta por cento da quota do mercado e que detém ainda a Areal Editores, a Lisboa Editora e outras chancelas de menor expressão. É a maior editora escolar portuguesa, o que, como já se viu, significa também que é a maior editora de Portugal. Ainda que no último ano tenhamos assistido a uma reconversão do sector com a recém-chegada ao mercado escolar de Pais de Amaral, antigo patrão da TVI que comprou a Texto Editora (a segunda maior do ramo), a Plátano/Didáctica e estejam ainda a decorrer negociações para lhes somar a parte escolar da Asa (era a terceira maior) e ainda a Gailivro, também esta muito bem implantada junto do primeiro ciclo, somará o novo grupo cerca trinta por cento da quota, ainda longe do volume da facturação da Porto Editora. Com crescente expressão no mercado nacional aparece ainda a espanhola Santilla (do grupo Prisa) com seis por cento da quota, segundo os números estimativos, já que o sector editorial há muito que padece da doença de falta de estatísticas oficiais, por antigas desavenças internas.
Se para quem negoceia com livros este é o sector onde é maior a expectativa de chegar a um realmente grande número de compradores, de acordo com os seus promotores é também aquele que implica maiores custos de produção, obrigando a constantes investimentos na formação dos autores e demorando cerca de um ano e meio na produção. Sui generis igualmente é a forma como estes livros podem chegar aos seus clientes. Ao contrário dos outros que ficarão disponíveis em livraria, aqui o teste faz-se de uma só vez, numa única época do ano e em cima da mesa do professor.
As editoras enviam as suas "amostras" para milhares de professores de cada disciplina e esperam para saber quantas escolas os adoptaram. Evidentemente que o know how lhes permite apresentar manuais à partida vencedores e adaptados às variações das diferentes comunidades e projectos escolares. Mesmo assim, é um processo de produção moroso e de promoção elaborada e dispendiosa para o qual só grandes estruturas editoriais estão habilitados, deixando cada vez mais as editoras menores longe da capacidade de concorrência.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Cinco medidas de apoio no Combate ao Desemprego

Para já, a candidatura de Lisboa/Alentejo envolverá a Opel, da Azambuja, cujo fecho deixou 929 desempregados, dos quais 658 ainda estão inscritos no IEFP; da Alcoa Fujikura (Seixal) , estão inscritas 360 pessoas, das 440 despedidas; da Johnson Controls (Portalegre)104 dos originais 180 trabalhadores também estão à procura de emprego.
Todos terão orientação profissional e o IEFP estima que meio milhar passe por centros de reconhecimento e validação de competências. Além disso, cerca de 800 terão formação profissional em novas tecnologias da informação e comunicação e cursos específicos para empreendedores, para quem quiser criar uma empresa. Além disso, serão pagas bolsas de formação a uma centena de pessoas para que escolham o cursoo profissional e a instituição que mais lhes convier.
Uma outra medida, para incentivar as pessoas a procurar emprego, é o pagamento de uma quantia equivalente a três salários mínimos (perto de 1200 euros) assim que apresentarem um contrato de trabalho sem termo ou a prazo, desde por um mínimo de três anos. Ainda, será dada uma compensação salarial a 500 pessoas que, antes do desemprego, ganhavam acima da média do sector ou da região. Esta verba destina-se a convencâ-les a trocar o subsídio actual por um trabalho com salário mais baixo. Por último, o IEFP propõe duas ajudas para quem cria empresas: por cada novo emprego (incluindo o próprio), um subsídio não reembolsável de 7254 euros (18 salários mínimos). E até 40% das despesas elegíveis tidas coma criação de empresas, até ao máximo de 12500 euros.

Fundo da globalização

Mais de duas mil pessoas perderam o emprego no sector automóvel, nos últimos meses, e por isso Portugal vai candidatar-se, pela primeira vez, ao novo Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização, criado pela União Europeia para apoioar trabalhadores desempregados (e não as empresas) por causa da concorrência feita pelos países emergentes, como a China ou a Índia. Hoje, será apresentada, em Bruxelas, a primeira candidatura, relativa a Lisboa e Alentejo. Dentro de um mês será entregue uma segunda candidatura, também no ramo automóvel, mas para o Norte e Centro.
Se for aprovada, a primeira candidatura apoiará 1122 pessoas, que perderam o emprego entre Dezembro de 2006 e Setembro último, disse Francisco Madelino, presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), a entidade responsável. Em causa poderá estar uma despesa de cinco milhões de euros, metade dos quais a suportar pela União e a outra metade pelo Orçamento de Estado.
Será um "tubo de ensaio" para o segundo projecto, que envolverá também trabalhadores do sector automóvel, mas do Norte e Centro, adiantou Madelino. Aqui, estão em causa mais de mil trabalhadores despedidos da Yasaki (Ovar) e Johnson Controls (Nelas).

Desemprego desafio Europeu


Dezasseis milhões de desempregados na Europa dos 27. Meio milhão em Portugal. Este é o problema e o desafio a discutir amanhã e depois, em Lisboa, na conferência "Emprego na Europa", realizada no âmbito da Presidência Portuguesa na União Europeia. O evento chega uma semana depois dos dados mais recentes da Eurocast darem conta de que Portugal é um dos países da Europa com mais desemprego, com uma taxa de 8,3%, sendo o cancro o desemprego de longa duração, que atinge já 52,1% do total de desempregados.

Segundo a Eurostat, não apenas ocupamos um lugar cimeiro no ranking do desemprego, como este continua a crescer, ao contrário de países como a França (8,6%) ou a Grécia (8,4%) onde o problema começa a diminuir. Por outro lado, pela primeira vez em muitos anos , Portugal ultrapassou a vizinha Espanha (8%) nesta matéria.

O problema é agravado pelo facto de metade dos desempregados o ser há mais de um ano. Para o contornar , o Governo propôs algumas medidas, sendo uma delas isentar da taxa social única as empresas que contratarem pessoas nesta situação ou com mais de 55 anos.

Um pacote de medidas urgente, se se tiver em conta que o desemprego delonga duração tem vindo a aumentar. Em 2002 tinha um peso de 37,3% do universo de desempregados, em 2006 ultrapassava os 50%. Para o economista e professor universitário João Loureiro, a situação dramática terá na origem uma alteração da nossa estrutura económica. "Se antes a nossa economia assentava em indústrias de mão-de-obra intensiva, hoje tende a convergir para actividades tecnologicamente mais avançadas", diz , acrescentando que "nesta fase de transição há uma geração que é apanhada desprevenida - a das pessoas com mais de 50 anos [que ocupam uma larga percentagem das que se encontram no desemprego de longa duração]".

Na base desta situação poderá estar, portanto, "a falta de qualificações e habilitações literárias para este novo contexto", que não será apenas uma questão relativa às pessoas mais velhas. "Há sempre mão-de-obra mais barata nalguma parte do Mundo. Se formos comprar roupa, verificamos que esta é mais barata agora do que há uns anos, porque é quase toda confeccionada na Ásia, onda a mão-de-obra é muito mais barata", exemplifica.

É neste contexto que muitas das empresas fecharam as suas portas em Portugal, deixando milhares de trabalhadores sem emprego.


terça-feira, 2 de outubro de 2007

Darfur


O Sudão é o maior país de África e uma antiga colónia britânica que sofreu, desde praticamente a independência, uma guerra entre o norte (maioritariamente árabe e que tem vindo a ser governado por partidos que assentam a sua autoridade no crescente fundamentalismo religioso) e o sul (de população maioritariamente africana e um longo passado de exploração pelo norte relacionada com o comércio de escravos). Os acordos de paz assinados a 9 de Janeiro de 2005, em Naivasha - Quénia, deixaram em aberto a independência do sul, a decidir por referendo em 2011.




Darfur é uma região do tamanho da França, situada no oeste do Sudão, que antes da colonização inglesa era independente de Cartum.
Durante a guerra entre o norte e o sul, o exército de Cartum (norte) utilizou os jovens do Darfur como manancial de soldados africanos utilizados para combater os grupos armados do sul (muitas vezes através do rapto de crianças e jovens nas aldeias), mas a região foi relativamente poupada pela guerra e assistia até há pouco tempo a uma coexistência pacífica entre os pastores nómadas árabes e a população de etnia africana
O genocídio

Em 2003 os ímpetos independentistas motivados pelos progressos no caminho de independência do sul ganharam expressão no Darfur, com algumas acções esporádicas de grupos militares rebeldes. Em resposta, o governo de Cartum iniciou uma intervenção utilizando o aparelho de guerra entretanto desocupado com a paragem das hostilidades no sul e contando com o apoio de militares de países como a Arábia Saudita e a Líbia, apostados em impor a Charia e o fundamentalismo islâmico no Sudão. Paralelamente iniciou uma campanha fomento do ódio étnico e racial, armando as populações de pastores árabes (politicamente mais fáceis de controlar e manipular por Cartum) e financiando as razias às populações africanas.
Ante os olhos passivos da comunidade internacional, o Governo de Cartum deu inicio a uma radical operação de limpeza étnica. Estima-se em mais de 3.000 o número de ataques a comunidades e aldeias destas milícias armadas e mantidas pelo governo (a uma média de cerca de 60 ataques por mês!) e entre 200.000 e meio milhão de vítimas mortais(!!).
Obs.: Quer a população árabe, quer a africana falam o árabe e professam maioritariamente o islamismo.

Mais informações:

- "O milagre da Paz", José Vieira, jornalista no Sudão
- "Basta de preocupação", International Crisis Group, Público
- Documentários
- Ultimas notícias porDarfur


Orientação Profissional

Escolher uma profissão não é uma tarefa fácil. A tomada de decisão é sempre cercada de dúvidas, emoções e influências. Nessa hora, você precisa pesar cada opinião, desejo e vocação para fazer a escolha certa.
Nunca desconsidere as pressões familiares, elas são inevitáveis. Afinal, seguir a profissão do pai e manter a tradição familiar ou ser o "primeiro médico na família" é o sonho de muitos lares. Nada de errado, desde que lhe respeitem e que isto se encaixe em seus planos.
Outra base de influência são os amigos. Fazer uma faculdade para manter o grupo de colegas da escola unido ou espelhar-se no sucesso de um amigo mais velho que já está na faculdade é bem comum. Nesta hora, você precisa parar e analisar se o que é bom neste modelo é adequado para você e seus anseios profissionais. Para descobrir isso, converse muito. Fale com amigos, sua família, seus professores, profissionais da área. Com essa "bagagem", você terá condições de tomar uma decisão mais tranquila e com maiores chances de acerto.
O mercado e as perspectivas de futuro crescimento também têm que ser levadas em conta. Muitas carreiras têm grande oferta de profissionais e fraca demanda de vagas, provocando altos índices de desemprego. Além disso, a avaliação das "profissões do momento e do futuro" podem abrir seus olhos para opções até então desvalorizadas.
O factor "dinheiro" também pesa muito nesta hora. Se você tem que trabalhar e estudar ao mesmo tempo, o sonho de ser médico (ou qualquer carreira que exija curso de período integral) terá que ser descartado.
A seguir, descubra suas habilidades e interesses. Interesse é aquilo que desperta em você atracção, curiosidade e motivação. Em outras palavras, é aquilo que te dá "tesão" em fazer.
Já habilidade é a demonstração prática do interesse. A habilidade de se relacionar com pessoas, manipular dados e informações ou ter "intimidade" com máquinas de tecnologia avançada indicam um caminho que pode ser seguido.
Se a dúvida persistir depois de pesar com ponderação todas as influências, descobrir seus interesses e habilidades e conversar com os mais próximos, não hesite em procurar um psicólogo ou um orientador vocacional. Eles têm ferramentas apropriadas para identificar habilidades e interesses que estejam claramente presentes, além daqueles "adormecidos" que podem fazer você "pagar para ver".

Carreiras tradicionais versus carreiras emergentes

Seguir uma carreira tradicional ou apostar em alguma profissão que esteja despontando é outra dúvida frequente. Uma carreira tradicional tem como vantagem trilhar um caminho mais conhecido. Mas a disputa por uma vaga nas faculdades e no mercado de trabalho é bem mais acirrada. Excesso de profissionais em determinadas carreiras muitas vezes obrigam a adaptação profissional como médico trabalhando em laboratórios farmacêuticos ou engenheiros em áreas administrativas.
Já as oportunidades de trabalho nas carreiras emergentes tendem a ser maiores. A chegada da "nova economia" (cultura, lazer, entretenimento, saúde, qualidade de vida, Internet) trouxe mais glamour a cursos não tradicionais como turismo, hotelaria, fisioterapia e educação física. Desta adequação surgiram novas e rentáveis atividades como webdesign, parques temáticos, gastronomia e personal training.
A mescla de atividades tradicionais com as da nova economia também geram oportunidades de trabalho. Jornalistas atuam como gestores de conteúdo nas empresas de Internet e biologistas passam a ser biotecnólogos desenvolvendo produtos e tecnologia que vão desde a clonagem de animais à sementes modificadas geneticamente.
Carreira escolhida e vestibular feito, as aulas começam e você descobre que o curso não tem nada a ver com você. Aí vem o dilema: acabar o curso que já começou, só para tentar aproveitar o tempo ou dinheiro já investidos? Pode ser, desde que você não se violente com isso. Caso contrário, pare e refaça o caminho. Mesmo que seja para mudar de Medicina para Letras ou de Engenharia para Turismo. Não faz sentido ir em frente para ser infeliz. E se não acertar desta segunda vez, tente a terceira.
Também não se esqueça de desenvolver e aprimorar suas habilidades realizando cursos e treinamentos. Esta ação pode melhorar as suas chances na hora de ingressar no competitivo mercado de trabalho.
Correndo sempre o risco de generalizar, tudo isso diz respeito a você.
Faça o balanço do que leu até agora e tome sua decisão com um grande objetivo: SER FELIZ, pessoal, profissional e financeiramente, se possível os três.


Luiz C. de Q. Cabrera Luiz A. F. Bueno PMC AMROP International

Vestibulando