terça-feira, 16 de outubro de 2007

Uma guerra de milhões



As escolas afixam a lista de títulos e as famílias compra-os, geralmente ignorando o que está por detrás da escolha de um manual escolar. A saber: uma sofisticada máquina de fazer livros capaz de motivar os professores a adoptá-los e um Ministério da Educação ausente da avaliação. Finalmente o governo aprova a lei de certificação dos manuais e cria "comissões de peritos" para os aprovar. De "aplaudir", dizem uns, "um processo rígido e centralista", acusam outros. Benefícios para os alunos? Só a prática o confirmará.



Pense em 1,6 milhões de alunos, multiplique-os pelo número de disciplinas correspondente a cada nível de ensino e o resultado dá dez milhões de manuais escolares postos à venda este ano. Dez milhões. Ainda que esteja por fora das dificuldades do negócio livreiro em Portugal, não é difícil perceber que não há livro (ou leitores) que chegue aos calcanhares do consumidor escolar. Avaliado em oitenta milhões de euros, o mercado do livro escolar é o maior do sector livreiro, estando agora concentrado em dois grandes grupos. A liderar, a Porto Editora com quase sessenta por cento da quota do mercado e que detém ainda a Areal Editores, a Lisboa Editora e outras chancelas de menor expressão. É a maior editora escolar portuguesa, o que, como já se viu, significa também que é a maior editora de Portugal. Ainda que no último ano tenhamos assistido a uma reconversão do sector com a recém-chegada ao mercado escolar de Pais de Amaral, antigo patrão da TVI que comprou a Texto Editora (a segunda maior do ramo), a Plátano/Didáctica e estejam ainda a decorrer negociações para lhes somar a parte escolar da Asa (era a terceira maior) e ainda a Gailivro, também esta muito bem implantada junto do primeiro ciclo, somará o novo grupo cerca trinta por cento da quota, ainda longe do volume da facturação da Porto Editora. Com crescente expressão no mercado nacional aparece ainda a espanhola Santilla (do grupo Prisa) com seis por cento da quota, segundo os números estimativos, já que o sector editorial há muito que padece da doença de falta de estatísticas oficiais, por antigas desavenças internas.
Se para quem negoceia com livros este é o sector onde é maior a expectativa de chegar a um realmente grande número de compradores, de acordo com os seus promotores é também aquele que implica maiores custos de produção, obrigando a constantes investimentos na formação dos autores e demorando cerca de um ano e meio na produção. Sui generis igualmente é a forma como estes livros podem chegar aos seus clientes. Ao contrário dos outros que ficarão disponíveis em livraria, aqui o teste faz-se de uma só vez, numa única época do ano e em cima da mesa do professor.
As editoras enviam as suas "amostras" para milhares de professores de cada disciplina e esperam para saber quantas escolas os adoptaram. Evidentemente que o know how lhes permite apresentar manuais à partida vencedores e adaptados às variações das diferentes comunidades e projectos escolares. Mesmo assim, é um processo de produção moroso e de promoção elaborada e dispendiosa para o qual só grandes estruturas editoriais estão habilitados, deixando cada vez mais as editoras menores longe da capacidade de concorrência.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Cinco medidas de apoio no Combate ao Desemprego

Para já, a candidatura de Lisboa/Alentejo envolverá a Opel, da Azambuja, cujo fecho deixou 929 desempregados, dos quais 658 ainda estão inscritos no IEFP; da Alcoa Fujikura (Seixal) , estão inscritas 360 pessoas, das 440 despedidas; da Johnson Controls (Portalegre)104 dos originais 180 trabalhadores também estão à procura de emprego.
Todos terão orientação profissional e o IEFP estima que meio milhar passe por centros de reconhecimento e validação de competências. Além disso, cerca de 800 terão formação profissional em novas tecnologias da informação e comunicação e cursos específicos para empreendedores, para quem quiser criar uma empresa. Além disso, serão pagas bolsas de formação a uma centena de pessoas para que escolham o cursoo profissional e a instituição que mais lhes convier.
Uma outra medida, para incentivar as pessoas a procurar emprego, é o pagamento de uma quantia equivalente a três salários mínimos (perto de 1200 euros) assim que apresentarem um contrato de trabalho sem termo ou a prazo, desde por um mínimo de três anos. Ainda, será dada uma compensação salarial a 500 pessoas que, antes do desemprego, ganhavam acima da média do sector ou da região. Esta verba destina-se a convencâ-les a trocar o subsídio actual por um trabalho com salário mais baixo. Por último, o IEFP propõe duas ajudas para quem cria empresas: por cada novo emprego (incluindo o próprio), um subsídio não reembolsável de 7254 euros (18 salários mínimos). E até 40% das despesas elegíveis tidas coma criação de empresas, até ao máximo de 12500 euros.

Fundo da globalização

Mais de duas mil pessoas perderam o emprego no sector automóvel, nos últimos meses, e por isso Portugal vai candidatar-se, pela primeira vez, ao novo Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização, criado pela União Europeia para apoioar trabalhadores desempregados (e não as empresas) por causa da concorrência feita pelos países emergentes, como a China ou a Índia. Hoje, será apresentada, em Bruxelas, a primeira candidatura, relativa a Lisboa e Alentejo. Dentro de um mês será entregue uma segunda candidatura, também no ramo automóvel, mas para o Norte e Centro.
Se for aprovada, a primeira candidatura apoiará 1122 pessoas, que perderam o emprego entre Dezembro de 2006 e Setembro último, disse Francisco Madelino, presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), a entidade responsável. Em causa poderá estar uma despesa de cinco milhões de euros, metade dos quais a suportar pela União e a outra metade pelo Orçamento de Estado.
Será um "tubo de ensaio" para o segundo projecto, que envolverá também trabalhadores do sector automóvel, mas do Norte e Centro, adiantou Madelino. Aqui, estão em causa mais de mil trabalhadores despedidos da Yasaki (Ovar) e Johnson Controls (Nelas).

Desemprego desafio Europeu


Dezasseis milhões de desempregados na Europa dos 27. Meio milhão em Portugal. Este é o problema e o desafio a discutir amanhã e depois, em Lisboa, na conferência "Emprego na Europa", realizada no âmbito da Presidência Portuguesa na União Europeia. O evento chega uma semana depois dos dados mais recentes da Eurocast darem conta de que Portugal é um dos países da Europa com mais desemprego, com uma taxa de 8,3%, sendo o cancro o desemprego de longa duração, que atinge já 52,1% do total de desempregados.

Segundo a Eurostat, não apenas ocupamos um lugar cimeiro no ranking do desemprego, como este continua a crescer, ao contrário de países como a França (8,6%) ou a Grécia (8,4%) onde o problema começa a diminuir. Por outro lado, pela primeira vez em muitos anos , Portugal ultrapassou a vizinha Espanha (8%) nesta matéria.

O problema é agravado pelo facto de metade dos desempregados o ser há mais de um ano. Para o contornar , o Governo propôs algumas medidas, sendo uma delas isentar da taxa social única as empresas que contratarem pessoas nesta situação ou com mais de 55 anos.

Um pacote de medidas urgente, se se tiver em conta que o desemprego delonga duração tem vindo a aumentar. Em 2002 tinha um peso de 37,3% do universo de desempregados, em 2006 ultrapassava os 50%. Para o economista e professor universitário João Loureiro, a situação dramática terá na origem uma alteração da nossa estrutura económica. "Se antes a nossa economia assentava em indústrias de mão-de-obra intensiva, hoje tende a convergir para actividades tecnologicamente mais avançadas", diz , acrescentando que "nesta fase de transição há uma geração que é apanhada desprevenida - a das pessoas com mais de 50 anos [que ocupam uma larga percentagem das que se encontram no desemprego de longa duração]".

Na base desta situação poderá estar, portanto, "a falta de qualificações e habilitações literárias para este novo contexto", que não será apenas uma questão relativa às pessoas mais velhas. "Há sempre mão-de-obra mais barata nalguma parte do Mundo. Se formos comprar roupa, verificamos que esta é mais barata agora do que há uns anos, porque é quase toda confeccionada na Ásia, onda a mão-de-obra é muito mais barata", exemplifica.

É neste contexto que muitas das empresas fecharam as suas portas em Portugal, deixando milhares de trabalhadores sem emprego.


terça-feira, 2 de outubro de 2007

Darfur


O Sudão é o maior país de África e uma antiga colónia britânica que sofreu, desde praticamente a independência, uma guerra entre o norte (maioritariamente árabe e que tem vindo a ser governado por partidos que assentam a sua autoridade no crescente fundamentalismo religioso) e o sul (de população maioritariamente africana e um longo passado de exploração pelo norte relacionada com o comércio de escravos). Os acordos de paz assinados a 9 de Janeiro de 2005, em Naivasha - Quénia, deixaram em aberto a independência do sul, a decidir por referendo em 2011.




Darfur é uma região do tamanho da França, situada no oeste do Sudão, que antes da colonização inglesa era independente de Cartum.
Durante a guerra entre o norte e o sul, o exército de Cartum (norte) utilizou os jovens do Darfur como manancial de soldados africanos utilizados para combater os grupos armados do sul (muitas vezes através do rapto de crianças e jovens nas aldeias), mas a região foi relativamente poupada pela guerra e assistia até há pouco tempo a uma coexistência pacífica entre os pastores nómadas árabes e a população de etnia africana
O genocídio

Em 2003 os ímpetos independentistas motivados pelos progressos no caminho de independência do sul ganharam expressão no Darfur, com algumas acções esporádicas de grupos militares rebeldes. Em resposta, o governo de Cartum iniciou uma intervenção utilizando o aparelho de guerra entretanto desocupado com a paragem das hostilidades no sul e contando com o apoio de militares de países como a Arábia Saudita e a Líbia, apostados em impor a Charia e o fundamentalismo islâmico no Sudão. Paralelamente iniciou uma campanha fomento do ódio étnico e racial, armando as populações de pastores árabes (politicamente mais fáceis de controlar e manipular por Cartum) e financiando as razias às populações africanas.
Ante os olhos passivos da comunidade internacional, o Governo de Cartum deu inicio a uma radical operação de limpeza étnica. Estima-se em mais de 3.000 o número de ataques a comunidades e aldeias destas milícias armadas e mantidas pelo governo (a uma média de cerca de 60 ataques por mês!) e entre 200.000 e meio milhão de vítimas mortais(!!).
Obs.: Quer a população árabe, quer a africana falam o árabe e professam maioritariamente o islamismo.

Mais informações:

- "O milagre da Paz", José Vieira, jornalista no Sudão
- "Basta de preocupação", International Crisis Group, Público
- Documentários
- Ultimas notícias porDarfur


Orientação Profissional

Escolher uma profissão não é uma tarefa fácil. A tomada de decisão é sempre cercada de dúvidas, emoções e influências. Nessa hora, você precisa pesar cada opinião, desejo e vocação para fazer a escolha certa.
Nunca desconsidere as pressões familiares, elas são inevitáveis. Afinal, seguir a profissão do pai e manter a tradição familiar ou ser o "primeiro médico na família" é o sonho de muitos lares. Nada de errado, desde que lhe respeitem e que isto se encaixe em seus planos.
Outra base de influência são os amigos. Fazer uma faculdade para manter o grupo de colegas da escola unido ou espelhar-se no sucesso de um amigo mais velho que já está na faculdade é bem comum. Nesta hora, você precisa parar e analisar se o que é bom neste modelo é adequado para você e seus anseios profissionais. Para descobrir isso, converse muito. Fale com amigos, sua família, seus professores, profissionais da área. Com essa "bagagem", você terá condições de tomar uma decisão mais tranquila e com maiores chances de acerto.
O mercado e as perspectivas de futuro crescimento também têm que ser levadas em conta. Muitas carreiras têm grande oferta de profissionais e fraca demanda de vagas, provocando altos índices de desemprego. Além disso, a avaliação das "profissões do momento e do futuro" podem abrir seus olhos para opções até então desvalorizadas.
O factor "dinheiro" também pesa muito nesta hora. Se você tem que trabalhar e estudar ao mesmo tempo, o sonho de ser médico (ou qualquer carreira que exija curso de período integral) terá que ser descartado.
A seguir, descubra suas habilidades e interesses. Interesse é aquilo que desperta em você atracção, curiosidade e motivação. Em outras palavras, é aquilo que te dá "tesão" em fazer.
Já habilidade é a demonstração prática do interesse. A habilidade de se relacionar com pessoas, manipular dados e informações ou ter "intimidade" com máquinas de tecnologia avançada indicam um caminho que pode ser seguido.
Se a dúvida persistir depois de pesar com ponderação todas as influências, descobrir seus interesses e habilidades e conversar com os mais próximos, não hesite em procurar um psicólogo ou um orientador vocacional. Eles têm ferramentas apropriadas para identificar habilidades e interesses que estejam claramente presentes, além daqueles "adormecidos" que podem fazer você "pagar para ver".

Carreiras tradicionais versus carreiras emergentes

Seguir uma carreira tradicional ou apostar em alguma profissão que esteja despontando é outra dúvida frequente. Uma carreira tradicional tem como vantagem trilhar um caminho mais conhecido. Mas a disputa por uma vaga nas faculdades e no mercado de trabalho é bem mais acirrada. Excesso de profissionais em determinadas carreiras muitas vezes obrigam a adaptação profissional como médico trabalhando em laboratórios farmacêuticos ou engenheiros em áreas administrativas.
Já as oportunidades de trabalho nas carreiras emergentes tendem a ser maiores. A chegada da "nova economia" (cultura, lazer, entretenimento, saúde, qualidade de vida, Internet) trouxe mais glamour a cursos não tradicionais como turismo, hotelaria, fisioterapia e educação física. Desta adequação surgiram novas e rentáveis atividades como webdesign, parques temáticos, gastronomia e personal training.
A mescla de atividades tradicionais com as da nova economia também geram oportunidades de trabalho. Jornalistas atuam como gestores de conteúdo nas empresas de Internet e biologistas passam a ser biotecnólogos desenvolvendo produtos e tecnologia que vão desde a clonagem de animais à sementes modificadas geneticamente.
Carreira escolhida e vestibular feito, as aulas começam e você descobre que o curso não tem nada a ver com você. Aí vem o dilema: acabar o curso que já começou, só para tentar aproveitar o tempo ou dinheiro já investidos? Pode ser, desde que você não se violente com isso. Caso contrário, pare e refaça o caminho. Mesmo que seja para mudar de Medicina para Letras ou de Engenharia para Turismo. Não faz sentido ir em frente para ser infeliz. E se não acertar desta segunda vez, tente a terceira.
Também não se esqueça de desenvolver e aprimorar suas habilidades realizando cursos e treinamentos. Esta ação pode melhorar as suas chances na hora de ingressar no competitivo mercado de trabalho.
Correndo sempre o risco de generalizar, tudo isso diz respeito a você.
Faça o balanço do que leu até agora e tome sua decisão com um grande objetivo: SER FELIZ, pessoal, profissional e financeiramente, se possível os três.


Luiz C. de Q. Cabrera Luiz A. F. Bueno PMC AMROP International

Vestibulando

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Aprender a Pensar

Ao trabalhar no Núcleo de Aconselhamento Psicológico, muitas vezes somos confrontados com pessoas
que apresentam dificuldades em estudar. Esta comunicação é fruto de algumas reflexões que fizemos
para ajudar estes alunos.
No ensino secundário, os alunos aprendem de pensar de uma certa forma. Ouve-se contar o que outras
grandes mentes da ciência descobrem e aprende-se a aplicar os métodos que eles inventaram.
Ás vezes percebem mesmo a matéria, noutras alturas simplesmente aprendem uma série de truques a
aplicar em certas situaçãos. Os truques dão perfeitamente para resolver as perguntas dos exames sem
que os alunos percebam muito bem do que é que se trata. Esta é uma estratégia válida. Trata-se de
optarmos pelo mínimo esforço para obter um efeito. Até diria que isto é um sinal de inteligênica. Nós
distinguimos aquilo que é verdadeiramente importante do que não é.
Obviamente tem que se ter cuidado com isso. Os truques têm as suas limitações. Na Universidade
existem cada vez mais cadeiras em que a estratégia de aprender truques ou memorizar não chega para
passar o exame. Já ouvi alunos dizer que em certas cadeiras os exames não têm nada a ver com a
matéria. Eu acho o que no fundo estão a dizer é que mecanizar as resoluções dos exercícios não chega
para resolver os exames. É preciso mais algo.
O objectivo desta curta comunicação é tentar definir o que é este algo e como promovê-lo.
O que verificamos é que é preciso começar a aprender de outra forma e que os alunos têm que começar
a pensar.
Para poder passar exames de algumas cadeiras os alunos têm que começar a perceber a matéria
verdadeiramente.
Mas há mais razões, além desta muito pragmática, pelas quais pode ser importante começar a pensar.
Por exemplo quando a matéria nos interessa verdadeiramente, ou quando se trata duma área em que nos
queremos especializar no futuro. Uma 3ª razão é que no mundo do trabalho, seja numa carreira
comercial ou científica, necessariamente tem de se lidar com situações novas e, portanto, saber pensar
é fundamental. Aqui vão aparecer problemas para os quais não existe nenhuma literatura ou solução
feita e em que temos que ser criativos.
Mas como é que se faz isto? Pensar? Onde é que começamos? O que é que fazemos?
O que é que podemos fazer para, por exemplo, perceber verdadeiramente uma matéria de uma cadeira?
O que é que se pode fazer além de ouvir o professor, seguir o seu raciocínio, tomar as notas, fazer os
exercícios?
O que é que se pode fazer mais? Como é que posso perceber melhor, leio mais sobre o assunto?, faço
todos os exercícios 3 vezes?
Eu dira que não. É preciso uma abordagem qualitativamente diferente. Algo profundamente diferente
de memorizar conhecimentos ou copiar métodos de outras pessoas. Vamos que ter que pensar por nós
próprios.
Queria dar-vos um pequeno exemplo do que pode ser isto de pensar por nós próprios de forma criativa.
Quantas maneiras há de entrar numa casa?
A resposta pode ser convencional- Pela porta, pela janela, etc., ou mais criativa- fazer um túnel, entrar
de helicoptero, grua, carro, estragar a parede, escada, paraquedas pela chaminé, canal de barco,
bomba,etc.
Ser criativo é pensar em coisas novas, coisas que não estam nos livros.
Curiosamente quando um problema é matemático ou físico não somos tão criativos e todos tendemos a
resolvê-lo da mesma maneira, de forma automática sem pensar.
Quantas vezes é que pensam em coisas novas?
Já pensaram como é que se podia melhorar o sistema de metropolitano de Lisboa, como é que se podia
contrariar a tendência de acumular de riqueza em cada vez menos pessoas, se há um fim na física, como
seria pensar como um membro de sexo oposto. Vocês já pensaram ?
Quando descobrimos que realmente podemos pensar sobre tudo e sermos criativos, pensar coisas novas,
coisas valiosas em que outras pessoas ainda não pensaram e que podem ser importantes, pensar pode
tornar-se muito motivador.
Retomando a questão do estudo: como é podemos aprender, pensando sobre a matéria?
Este foi um problema sobre o qual nós próprios também tivemos que pensar, porque as soluções não
estavam nos livros. Um dos métodos que seguimos foi ler umas biografias de fisicos e matemáticos
como Feinman, Einstein e Hadamard para ver o que eles tinham para dizer, como trabalhavam, como
abordavam os seus problemas. Junto com outra literatura encontrámos uma série de características nos
métodos de trabalho deles que nos foram úteis para peceber melhor o problema.
Vamos propôr 7 actividades, ou exercícios que no nosso ver promovem este tipo de pensamento.
Certamente ainda há mais, e têm que escolher qual é que funciona melhor para vocês. Mas a ideia é que
estas actividades quase inevitavelmente implicam ter que pensar. São tarefas em que não há um
caminho já feito, em que têm que ser criativos e inventar coisas. Noutras palavras é quase impossível
executar estas tarefas sem ter que pensar de forma original. Vou tentar dar um exemplo de cada
actividade que proponho.

1º Tentar inventar as coisas de novo
Sermos nós o inventor, o Einstein, o Newton etc
Dito forma mais simples, esta tarefa consiste em tentar resolver um problema sózinho primeiro, antes
de ser dada a solução.
Geralmente implica uma forma de preparação, por ex: tentar pensar em casa antes de ouvir o que o
professor tem para dizer, ou antes de ler nos livros.
Ex:
(supondo que ainda não se sabe nada sobre o assunto) Que caminhos pode o electrão percorrer à volta
do núcleo e porquê?

2º .Interrogarmo-nos
“o que é que aprendi nesta aula, o que é que foi verdadeiramente novo e não variações de coisas que já
sabia”. Isto obriga a explicitar e pôr por palavras nossas o que foi exposto. O que é que foi mesmo
novo? Isto obriga a reprocessar a informação.
ex: que é que aprendi nesta aula que ainda não sabia?

3º Experimentar variações do que foi proposto
Mudar varáveis ou condições iniciais e ver se o método funciona. Procurar alternativas
ex:
Aplicar as teorias a situações extremas ( 0, infinito, integrar, derivar, o que é que acontece quando
apago um termo numa equação ou função?)

4º Sermos críticos e encontrar os “espaços brancos”
Perguntar depois de ter visto uma solução “percebi a razão de cada passo, a razão de cada opção
tomada? Percebi mesmo tudo? Quais são aqui os pormenores que me incomodam?” Levar as dúvidas a
sério.
ex:.
-Feinman descreve como o pai (que tinha poucos estudos) lhe ensinou a diferença entre nomear,
descrever e explicar.
-Existe uma “teoria” que a água quente congela mais depressa do que a água que está inicialmente fria.
Um recente artigo no Scientific American só apresenta observações e nenhuma explicação pelo
fenómeno.

5º Explicar aquilo que se aprendeu a outras pessoas.
Isto obriga a utilizar novos termos, a criar de novo. Alguém disse que só se aprende quando se ensina.
O estudo em grupo fornece uma oportunidade para uma discussão com colegas e professores e também
nos obriga a reflectir. Se, no entanto, se está primeiro à espera da solução dos colegas, não resulta.
Ex:
Tentar explicar a um amigo que estuda outra coisa, à tua mãe ou irmão mais novo o que disse Einstein
ou o que estiveram a dar na última aula.

6ª Ser irreverente ou arrogante
Não acreditar só porque um Laplace ou Newton disse que uma teoria é verdade. Não acreditar que uma
teoria está necessariamente correcta, ou que um método não pode ser melhorado Tentar melhorar,
tentar outros caminhos. Perguntar “Isto não pode ser feito de forma mais simples ou melhor?”.
Não é relevante se se encontra de facto um método melhor ou não. O que conta é que se ganha um
entendimento mais profundo do problema ao tentar outros caminhos, ao brincar com as peças do
puzzle.
Ex:
Tentar resolver aquilo que ainda não foi resolvido por ninguém.
O Pi é impossível de definir? Já experimentaste provar o teorema de Fermat, encontrar números
primos?

7º Pôr novos problemas, experimentar o absurdo
O Einstein pensou durante anos sobre o que se via quando se viaja à velocidade de luz. Feinman
tentava perceber porque um espargete se partia sempre em dois sítios. Há sempre coisas à nossa volta
que podemos utilizar como puzzle: como é que posso descrever ou explicar como o público da
audiência está distribuido nesta sala.
É importante ser despreocupado com a utilidade, seguir a tendência natural de curiosidade.
Habitualmente somos muito preocupados com os resultados. Convém libertar-se de vez em quando dos
estudos, encontrar tempo para também ficar fascinado, encontrar o prazer de procurar, investigar e
pensar.
Ex:
Já pensaram sobre o que é calor, energia, velocidade de forma mais profunda? Já pensaram sobre a
diferença entre amizade e amor, os tipos de amor que há? Os gregos distinguiam mais que 10. Já
pensaram sobre se a universidade é o melhor sistema de ensino? Já pensaram sobre se ficamos mais ou
menos molhados se corremos quando está a chover? Já pensaram como é possivel que se pode ligar e
apagar uma lâmpada com 2 interruptores diferentes?
Para podermos ser criativos temos que aprender as técnicas primeiro. Como um pintor ou um fotógrafo,
só se pode ser criativo depois de dominar a técnica, o engenheiro tem que aprender racíocinar, e
aprender os instrumentos matemáticos. Nós precisamos de conhecimentos. Mas algures no curso vocês
vão ter que começar a ser criativos, vão ter que dar um passo para a frente e não apenas copiar o que
sabem. Vão ter que aprender a pensar vocês próprios.
Infelizmente, muitas pessoas não sabem como pensar, como iniciar este processo.
“O que é que faço para pensar sobre um problema novo, não chego ao lado nehum”
Isto é uma pergunta difícil cuja resposta também não encontrámos nos livros. Ainda não temos a
certeza mas parece-nos que o processo de pensamento necessita de um modo de atenção diferente.
Enquanto o despejar da memória e reproduzir um método mecanizado, requer uma intensa
concentração, a solução de algo novo requer uma atenção leve. Fazemos a pergunta, esquecemos a
pergunta, voltamos a considera-la, etc. Deixamos amadurecer, temos uma ideia que parece interessante,
mas afinal não serve.
Hadamard fala de um matemático que de repente viu uma solução de um problema sobre o qual já
estava a pensar durante meses, quando pisou o primeiro degrau entrando num autocarro. Outras pessoas
também descrevem que conseguem pensar bem quando estão a passear a pé ou viajar de comboio. O
kekule lembrou se da solução do benzeno supostamente num sonho, mas isto não sem ter pensado
muito sobre o problema.
Cada um vai ter que descobrir como funciona melhor neste aspecto.
Outra característica deste tipo de pensamento é que, ao contrário do despejar da memória, que é algo
que se faz com uma lógica, passo por passo, o inventar é por ideias e saltos de pensamento que temos.
É como se tivessemos que nos colocar a pergunta e depois ficar a observar a nossas ideias. Então, para
estudarmos activamente, paradoxalmente, necessitamos de uma atitude algo passivo
Temos que aprender a ouvir o algo, as ideias que podem formar-se por imagens, as pessoas ou situações
de que nos lembramos, as palavras ou outras metáforas.
As ideias podem ser vagas e sem conexão aparente ao problema que estamos a estudar. Às vezes temos
que descodificar estas intuições ou imagens. As vezes sentimos que estamos no caminho certo, outras
que algo não bate certo, sem poder explicar.
Temos de alguma forma treinar este tipo de atenção lateral, esta escuta interna, para ganhar confiança
que este método de facto funciona.
Muitas vezes as vossas interrogações aparentemente não têm nehuma utilidade e parecem estar a perder
tempo, mas isso não é verdade. Em primeiro lugar nós estamos a aprender a pensar, ou seja estamos a
aprender uma aptidão. Não é o conteúdo do que nós pensamos que é o iportante, mas o processo.
Obviamente, uma ideia maluca até pode afinal ter uma aplicação. Muito mais provavel é que a estrutura
da nossa solução maluca tenha aplicação noutro campo. O Feinman ficou fascinado pelo movimento de
abano de um prato de sopa no ar e só depois percebeu que tinha alguma coisa a ver com o problema em
que ele estava a trabalhar.
Mas ainda o mais importante é aprendermos pensar e que isto se torne um hábito, uma aptidão que
serve agora com os exames, para a nossa carreira e para resolver problemas na nossa vida em geral. O
meu conselho é: não percam esta oportunidade de descobrir e aprender a pensar.

Texto Elaborado por Hans Welling
(Psicólogo no Núcleo Aconselhamento Psicológico do IST)